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19 January 2010

2010 de bom humor

Porque não começar com bom humor este ano que teima em entrar sisudo?

Pois fica aqui uns pedacinhos de bom humor.













25 September 2009

Embalo de conto

Porque ainda estou a descobrir Natália Correia, vou partilhar este poema da autora.

Fiz um conto para me embalar

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhum soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

Natália Correia

17 September 2009

O Burro da Terra de Miranda

O burro da Terra de Miranda não é assim tão burro. É até inteligente. Tanto como uma criança pequena de 5 anos.


Imagino uma criança aos pinotes. A felicidade ao alcance de um salto.
E o burro dá pinotes.
Com os saltos, vêm as canções, que embalam os sentidos.
E os canários da montanha também cantam. Fazem-se ouvir de muito longe. E também ficam tristes e aflitos. E os seus zurros tornam-se diferentes.
E uma criança feliz gosta de partilhar. Partilha a sua canção ou o seu pão. Passeia ao longo do rio e pelo trilho de terra batida. E o seu companheiro de viagem acompanha-a, traz-lhe a sacola, sem se queixar do peso ou do caminho.

Fim do devaneio.



Nota: As fotos são da AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino onde se pode ler mais sobre a espécie.

13 September 2009

Curtas - cúmulos


Estas são antigas
mas tem sempre graça passar os olhos :)

O cúmulo da lentidão
É cuidar de 2 tartarugas e deixar uma fugir.

O cúmulo da pobreza
Vender o almoço para comprar o jantar.

O cúmulo da rebeldia
Morar sozinho e fugir de casa.

O cúmulo da força
Dobrar a esquina.

O cúmulo da traição
Suicidar-se com uma punhalada nas costas.

O cúmulo da sorte
Ser atropelado por uma ambulância.

O cúmulo do azar
Ser atropelado por um carro funerário.

O cúmulo da economia
Usar o papel higiénico dos dois lados.

O cúmulo da preguiça
Levantar-se todos os dias às 5 da manhã para estar mais tempo sem fazer nada.

O cúmulo do barulho
Um casal de esqueletos fazendo amor em cima de um telhado de zinco.

O cúmulo da altura
Um homem ser tão alto que, quando come um iogurte, ele chega ao estômago já fora do prazo.

O cúmulo do vegetarianismo
Levar a namorada para trás de uma moita e comer a moita.

O cúmulo da velocidade
Dar voltas à mesa e apanhar-se a si mesmo.

O cúmulo da calvície
Salvar-se de um acidente por um cabelo.

O cúmulo da moleza
Correr sozinho e chegar em segundo.

O cúmulo da rapidez
Fechar a gaveta, trancá-la e meter a chave lá dentro.

O cúmulo da paciência
Esperar encher um balde furado numa torneira entupida.

O cúmulo da burrice
Olhar pelo buraco da fechadura numa porta de vidro transparente.

O cúmulo da magreza
Uma mulher comer uma ervilha e pensar que está grávida.


O cúmulo do egoísmo
Não vou contar, só eu é que sei!

04 August 2009

Manjerico, primo do manjericão


Tenho um manjerico. Um mesmo verdadeiro. Daqueles com o nome pomposo de Ocimum Minimum L. A plantinha mais popular das festas de Santo António e de São João, e que é prima do manjericão. Tenho um manjerico. Um manjerico de uma flor só, pequenina e branca, ao pé do meu cacto de folhas carnudas e macias, sem um único espinho. Partilham a mesma janela, por onde entra a claridade - ora do astro-rei, ora do luar. Vivem em vasos iguais, enchidos com a mesma terra. Partilham a comida, a luz, o espaço e a cor. São plantas e são tão diferentes.

31 July 2009

Com cheiro de algodão

O azul do céu tem cheiro de quê? E se as flores chegassem ao céu, com as petálas e aromas a espalharem-se por todo o lado, ficaria o céu com que cheiro?

07 July 2009

Abelha antiga


Quem se lembra desta abelhita? vá...um pote de mel a quem acertar.

04 February 2009

Os... felinos

Não é a maneira mais bonita dos homenagear mas é sem dúvida engraçada, eheheh.







28 January 2009

Novo look do abelhices

É como cortar o cabelo: "era para cortar as pontas, se faz favor". E saímos do cabeleireiro com um penteado completamente diferente daquele com que entrámos.
Ainda falta olhar ao espelho....

23 January 2009

A cortina de outrora

O prédio tinha sido bonito.
As janelas típicas de Lisboa, as varandas de ferro forjado em desenhos retrocidos; os azulejos azuis com desenhos agora esbatidos; pedra, em vez de alumínio, a emoldurar os vidros das janelas altas. O prédio era ainda bonito mas decadente. No primeiro andar, a única janela com varanda estava partida e por ela atravessava a frágil cortina cinza, outrora branca virginal, a esvoaçar pela mão do vento e da chuva de inverno. Parecia mais um fantasma do que uma cortina. Mantinha-se no seu posto, condenada a cumprir o seu destino para todo o sempre ou pelo menos até cair em farrapos, que devia estar para breve. Nas restantes janelas, descobriam-se outras condenadas à porta fechada. Do alto do telhado, uns pombos olhavam em redor, procurando um abrigo da ventania que se fazia sentir. Um deles, voou até à condenada esvoaçante e parou no poleiro improvisado da varanda. A velha cortina abradou o seu movimento, como se tentasse não espantar o seu visitante. No conjunto, pareceu-me a única coisa decente a fazer. Uma visita à condenada. Mesmo que fugaz.

19 January 2009

Pensamento positivo




Uma formiga a passar a linha do comboio entala um pé, depois de um esforço e a ver o comboio aproximar-se desiste e diz:
- Que se lixe, se descarrilar, descarrilou...

19 December 2008

Todas as mensagens para 2009

Para quem não tem tempo de enviar mensagens ou simplesmente passa a vida a esquecer-se de o fazer:

Feliz Natal. Boas Entradas, um 2009 em grande. Feliz aniversário, bom Carnaval e uma Páscoa feliz. Um óptimo 25 de Abril, dia do pai e da mãe. Goza bem o S. João, o Santo António e os restantes feriados. E excelentes férias.

18 December 2008

Jump, jump, jumper

Apesar do abandono aparente, este canto não está esquecido. E como a época natalícia, está cada vez mais (aparentemente) consumista e menos solidária, deixo um filme na versão "partilhe-um-sorriso" que é barato, é fácil e dá milhões de segundos de boa disposição.



Um óptimo Natal para todos.

09 October 2008

Ideias em fuga

Despejo palavras como quem desperdiça tempo. Por cada uma, há um segundo que não volta para trás. Pesa-me na consciência este desperdício, tal como a ida à farmácia onde não comprei tudo e a ida à livraria onde não comprei nada. Tenho a percepção de que a mente me foge em direcção oposta àquela em que devia se concentrar. Tal como as minhas ideias quotidianas. Estas então permitem-se fugir ao meu controle, deslizando em caminhos separados, rindo-se da minha hesitação em persegui-las. Entenda-de que nem eu sei de onde vem a minha indecisão: se é a escolha de quem deva perseguir primeiro ou se é o cansaço que fala mais alto. Para elas, é indiferente.
Surge-me na mente um pequeno caderno que tenho na mala. É para eu escrever o que eu quiser, a qualquer momento oportuno ou iluminado. Pelo menos, foi o que pensei quando o comprei e o guardei entre a carteira e um pequeno bloco miniatura que exigia reforma há já algum tempo. Quando consigo colocar em práctica este plano anti-fuga de ideias, aí consigo cortar as asas das ideias que fogem. E elas, sem ter para onde ir, permanecem inalteradas nas linhas onde se arrumam. Esfrego as mãos de contentamento. A minha caça dá proveitos mas tenho de melhorar a técnica. É que algumas ideias são mais espertas que eu e fogem à ponta da caneta.
Vou mudar para o lápis.

02 October 2008

A corrida

A formiga sentiu o peso do seu mundo. Ora nas costas, ora nas pequenas e frágeis patas. Corria de um lado para o outro, sem meta definida. Todas as corridas eram importantes. Em nenhuma se lhe via o fim.
Numa pausa entre duas agitadas corridas, onde o almoço pequeno lhe caiu pesadamente, olhou as folhas das árvores. Apesar do dia ter sol e não estar frio, o vento corria de um lado para o outro. Ao contrário da sua azafáma, fazia-o com graça. As folhas mexiam-se e remexiam-se cada uma para seu lado, fazendo com que a árvore folharenta se inclinasse ao sabor do baile diurno. As nuvens tinham sido levadas, como que postas de castigo a um canto, deixando o céu azul aparecer até para lá do horizonte. Aqui e ali, havia sossego. Paz à espreita numa esquina ou banco de jardim. Até havia um pequeno riacho que parecia cantar, atirando convites a quem o quisessem ouvir. Mas o formigueiro não podia parar e ela era uma formiga.
Por isso, lentamente, colocou as patas uma à frente da outra e guiou-se para o meio da próxima corrida ingrata e já sua conhecida. Alguma vez a ganharia?